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Leia um trecho da introdução do livro Nova Liderança escrita por Ricardo Barbosa de Sousa e Valdir R. Steuernagel.

 

"Sabemos, pelo menos teoricamente, que ser cristão envolve crer na singularidade e centralidade de Cristo, na autoridade das Escrituras Sagradas, na necessidade da conversão e da participação na comunhão cristã. Além disso, cremos na Igreja de Jesus Cristo e em sua missão no mundo de proclamar o Evangelho do Reino de Deus e da salvação em Cristo para toda criatura e em todo lugar. A identidade cristã é simples e clara, porém, a complexidade cultural da civilização ocidental tornou esta identidade igualmente complexa. Não basta ser “simplesmente cristão”.

Por outro lado, a complexidade cultural requer dos cristãos não só a compreensão, mas também respostas honestas aos dilemas que o ser humano enfrenta. Ser “simplesmente cristão” não pode ser uma resposta simplista ao desafio de ser cristão hoje. O secularismo, o ceticismo e o narcisismo idolátrico de nossas sociedades, espera da Igreja e dos seus líderes, uma fé que seja pessoal e capaz de articular, em uma linguagem adequada, o testemunho de Cristo. Mais do que bons programas e o bom uso de recursos tecnológicos, os líderes cristãos, hoje, precisam viver de maneira coerente e consistente o Evangelho que pregam.

Porém, o que vemos crescer cada dia é um cenário bem diferente. O Evangelho foi transformado em um produto, a igreja em um grande mercado, a pessoa em um consumidor e o líder no gerente desse grande empreendimento. Sair desse turbilhão e reencontrar o coração da liderança cristã é nosso contínuo desafio.

Pastores vêm construindo uma identidade cada vez mais funcional. A comunidade não é o que mais importa, o que importa são os projetos, as metas, o potencial de cada um. A profundidade foi substituída pela superficialidade, a pessoalidade se perde no meio da grande massa. Às vezes parece que somos mais vaqueiros do que pastores: estamos mais de olho no número de cabeças do que no cuidado de um rebanho.

As consequências dessas profundas mudanças são trágicas e já começam a ser percebidas. Famílias desestruturadas, caráter corrompido, integridade pessoal ameaçada, superficialidade nos relacionamentos e no conhecimento, impessoalidade, imaturidade, frieza afetiva e narcisismo. Estas são apenas algumas das consequências que temos observado e que são apresentadas neste livro. Certamente, não temos a pretensão de apresentar respostas a todas as perguntas e crises que temos vivido. Pretendemos estimular uma reflexão mais profunda sobre os desafios que temos pela frente, buscar novos paradigmas de liderança e procurar responder, com fidelidade a Deus, à geração que servimos. 

É possível que os velhos modelos não apresentem as melhores respostas para hoje. Mas também é certo que os novos modelos não estão apresentando uma alternativa real. O tempo é de crise e requer um mergulho em águas mais profundas. Não podemos olhar somente para o que está à nossa volta, temos que olhar para o futuro; não podemos nos casar com o espírito da nossa época porque, como disse Malcolm Muggeridge, quando a época passar, ficaremos viúvos. Ao olharmos para frente, temos que nos ater a duas coisas: ao que Deus fez no passado e ao está fazendo no presente. Isso exige discernimento.

Este livro é uma proposta de agenda de discussão para refletirmos sobre os novos paradigmas da liderança no tempo em que vivemos. Isso implica conhecer o tempo e suas crises, bem como conhecer a natureza da igreja e do líder para essa igreja. Queremos olhar para ambos. Não espere encontrar neste livro fórmulas ou receitas. Não é este o seu propósito. Talvez ele vá levantar mais perguntas do que respostas. Se levarmos a sério as perguntas, os caminhos surgirão como expressão da graça divina."

Ricardo Barbosa de Sousa eValdir R. Steuernagel

 

Você pode adquirir o livro pelo link: 

http://www.editoraesperanca.com.br/loja/nova-lideranca

 

Publicado em Saúde da Igreja